Língua - Vidas em Português
O documentário “Língua: Vidas em português” foi filmado em 6
países – Portugal, Brasil, Índia, China e França – mostrando aspectos sociais,
culturais e religiosos que influenciaram e ainda influenciam na formação contínua
da língua portuguesa.
A obra nos leva a um mergulho nas breves histórias
particulares de pessoas, exibindo as diferenças presentes nos contextos sociais
aos quais estas se inserem e a semelhança entre elas: a língua portuguesa.
Logo no início das filmagens, é abordada pelo escritor José
Saramago, um dos protagonistas do documentário, a difusão desta língua primeiramente
de Portugal para o Brasil e, posteriormente, para outros países, o que
configurou características diversificadas ao idioma. Outra afirmação feita por
Saramago, e desta vez com tom poético, foi a seguinte: "Portugal deu
origem a um filho maior que o próprio pai", o que significa que o alcance
do léxico vocabular, variações linguísticas, gírias e expressões idiomáticas, por
exemplo, tomaram dimensões bem maiores do que as assumidas no país europeu tanto
pela diferença de extensão territorial, quanto pela miscigenação cultural muito
mais intensa ocorrida nas terras brasileiras.
Um ponto que a obra enfatiza é o processo de modificação da
língua que, ao passo que recebe forte influência de eventos como a globalização
e acarreta em uma certa perda de identidade cultural, também tem uma
necessidade de mudança e evolução. Caso contrário, estaríamos fazendo uso de
uma linguagem primitiva e estagnada até a contemporaneidade.
"Minha língua portuguesa é minha raiz, é minha
cultura!", disse Martinho da Vila, que também participou da produção, onde
descreveu aspectos relacionados às suas origens e, posteriormente, da compra da
casa onde ele mesmo nascera. Comentou também a respeito do êxodo rural do qual
sua família participou e como esse fato afetou na linguagem popular do momento.
Goa, na Índia, recebeu influência da cultura portuguesa não
somente na linguagem, mas também na culinária, na arquitetura e em nome e
sobrenomes, o que denota forte presença de aspectos que foram se reinventando
incontáveis vezes e realimentados por levas sucessivas de imigrantes e descendentes.
Contudo, tal fenômeno não se restringiu somente a este local, sendo também
exemplificado nos demais países onde se passou o documentário.
Em suma, a essência da obra pode ser descrita da seguinte
maneira: a língua portuguesa não é estática. Se transforma em função do
ambiente e é, ao mesmo tempo, um fator de transformação dele.
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